
com este tempo lembro-me dos dias em quer chegava a casa da bó Micas depois de sair das aulas ( escola primária) e ela tinha massa q sobrara do almoço e eu adorava.....ela aquecia e eu punha o lume no maximo pa que se torrasse!!!



Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
José Carlos Ary dos Santos
| SONETO DA FIDELIDADE De tudo, meu amor serei atento Vinícius de Morais |
Pus o meu Sonho no navio
E o navio em cima do Mar
Depois abri o Mar com as mãos
Com as mão para o meu sonho
Naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul, do azul das ondas
Entreabertas.
E a cor que escorre dos meus dedos
Colore as areias desertas.
O vento vem
Vindo de longe
A noite se curva de frio
Debaixo da água
Vai morrendo o meu sonho
Vai morrendo dentro do navio
Chorarei, quanto for preciso,
Para fazer com que o mar cresça
E o meu navio chegue ao fundo
E o meu sonho
Desapareça.
Cecília Meireles

|