sexta-feira, 27 de novembro de 2009
e cantava...
e canto,ora essa!!
uma vez ,quando achava que já era muito grande para participar nas mini -chuva de estrelas (quer dizer era um pisco com um metro e vinte de altura e tinha por volta de 13anitos ) estava a passar um fim-de-semana em casa da já falada Sãozinha , que era a mãe do meu amigo Toni ,o Toni era mais velho que eu tratava-me como uma irmã o que fazia com que metade das miúdas da minha idade quisessem estar na minha pele quando ele me dava a mão , era um verdadeiro sex simbol ao jeito barcelense haaa e era ele também que apresentava as mini-chuva de estrelas juntamente com a Gina, pronto era o Jorge Gabriel barcelense.
Fomos tomar um café perto da praia , ali as marinhas ( terra de pescadores ) muita gente na rua,pois em pleno Verão vai para lá muita gente para as suas casas de praia.
No café da praia havia um género de mini chuva de estrelas de improviso,tinha um palco ( fica giro escrever palco mas na verdade era mais um palanque,um estrado para ai de 2 metros por dois em madeira velha e com uma tela de tecido velho para dar ideia de palco com fundo ) tinha um aparelho de música e havia muitas crianças inscritas para cantar la da terra ou não e que tinham escolhido musicas do karaoke que eles la tinham .As inscrições já tinham fechado quando chegamos mas a Sãozinha queria porque queria mostrar os dotes do seu rouxinol ( EU ) e lá convenceu o homem a inscrever-me.Depois veio o problema que eu não cantava com o karaoke e lá ficou combinado que cantada sem musica "a capela " ( haaa brava a miúda hã!! ).
Aquilo nunca mais acabava até que sobe ao palco ,palanque, uma miúda ,toda vestida de branco,qual Cristo ou santa na terra !!
Foi cantar um dos its do momento ,uma musica do filme " Evita " em que a Madona cantava " don´t cry for me Argentina " , ora ela foi dizer a Argentina para não chorar por ela e o publico DELIROU!!!
Entretanto ouvíamos comentários de senhoras de braços cruzados e que falavam baixinho de sobrancelha cerrada como se estivessem a falar de um segredo tipo o da Lúcia (a dos pastorinhos não a da padaria la perto de casa,mulher do coveiro ) " é a filha do Rogério ,é!a moça canta muito bem!" ou então " já ganhou ,já ganhou olha ali a família toda a rir " ,ou ainda "é minha sobrinha é a maior já ganhou esta mer...."......bem ouvia e calava queria lá saber,eis que entre luzes e fumo , sim porque havia,ouvi chamar o meu nome......lá fui cheia de vergonha com medo de cair porque o palco,palanque abanava por tudo quanto era lado e cantei.cantei o que?
" Tudo isto é fado "
bem foi um sucesso total !! lá foram as votações e quando dizem o segundo lugar ........
a menina de branco em segundo e eu em primeiro !! WUUAAUUUU, nice pensei eu:)
peguei na taça toda feliz !!Taça que era quase do meu tamanho , dourada e azul e tinha na placa,onde normalmente tem o nome do evento em que se participou,cravado o símbolo de duas raquetes vasse la saber porque ??!!
De um momento para o outro houve uma revolução , qual 25 de Abril qual que?!!?! Era a família de pescadores ,que faziam parte da família da menina de branco , que estava a abanar o palco ,a discutir ( alguns já com os copos ) , a porrada , cadeiras no ar e era o vê se "te avias" .
Só me lembro de ter a Sãozinha amarrar-me pela mão e pela taça e fugirmos dali para fora a sete pés e de ao longe vermos o palco,palanque,a cair.
cenas da vida....................................
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
recordações
A minha vizinha aprendeu-o no colégio , onde estava de manhã pois só tínhamos aulas de tarde , andávamos nós no 3º ano. Foi tão engraçado....
Ficávamos horas a cantar nas escadas do nosso prédio, com os vizinhos a passar de um lado para o outro, fazíamos festas de musica e deixávamos papeis nas portas dos vizinhos: X horas nas escadas do prédio e la estaríamos nos a cantar,dançar,passar modelitos ( como a minha mãe ficava louca com estas passagens de modelitos, :) pois eu e a minha irmã Diana pegavamos em tudo o que era tecido e roupas de mãe , como lhes chamávamos )...
Lembro-me de brincarmos nas traseiras do prédio numa mini-casinha que tratávamos como se fosse a nossa casa e de cantarmos por lá também.
Um dia estava em casa a lavar os pratos do almoço e ouvi na radio outro fado "que Deus me perdoe" e aquelas palavras fizeram tanto sentido para mim...
" se a minha alma fechada
se pudesse mostrar
e o que eu sofro calada
se pudesse contar
toda a gente veria
quanto sou desgraçada
quanto finjo alegria
quanto choro a cantar "
Pois é, fizeram sentido!!Muito sentido!!
Sou a mais velha de sete e com aquela idade passava o tempo a cuidar dos manos, quando queria era estar a brincar. A vida não era fácil e TINHA de ser assim, no entanto guardava tanta, tanta coisa para mim,sonhava tanto que por vezes parecia que aqueles lugares que visitava em pensamento eram reais, daí aquelas composições de inicio de aulas, em que a professora mandava escrever sobre as férias, pareciam mesmo, MESMO, verdadeiras!!
No meio de muita tristeza ao jeito de miúda, para os outros , apenas sorria, sempre, sempre sorridente na escola nas brincadeiras, sempre!
Por estas e mais razões é que discordo , em parte , quando alguém diz q certos poemas só se podem cantar depois de certas idades!!
Lembro-me de um dia estar a arrumar a casa enquanto os pequenos brincavam cá fora ( pois, porque não cantava se estivesse alguém em casa....quer dizer cantava no banho , cantava tanto que os banhos eram tão longos que o pai gritava " Gisa vou fechar a água!! ") tocaram na minha campainha , era a doméstica de casa do meu vizinho Toninho ( coitadita da mulher, todos nós crianças, fugíamos dela quando a víamos chegar pois achávamos que ela era bruxa!! coisas de crianças ) que me perguntava se era eu que estava a cantar , quando eu disse que sim ela sorriu. muito e disse que ficava feliz por poder trabalhar a ouvir-me.
Fiquei tão contente com aquilo!!
Depois comecei a cantar na escola, no recreio ,cantava para os professores!!
Na televisão , no novo canal da altura que toda a gente via, SIC , dava um programa " mini chuva de estrelas " com o qual eu fixava , ficava louca e queria tanto lá ir....haaaa ou o " Bravo bravíssimo " onde as meninas cantavam e apareciam com vestidos lindos ( pois já naquela altura eu era PENEIRENTA :) )
Lá na cidade a " Sãozinha ", como era conhecida por todos , começou a organizar " mini-chuva de estrelas " lá no Circulo Católico de Barcelos e claro está, eu participava sempre.
A minha mãe coitada, no meio de tanto trabalho ainda era massacrada :) por mim para que me fizesse " roupas de Amália " como eu dizia , punha uns rolos na cabeça ( que mal tirava da cabeça, os caracóis duravam minutos e eu choraaaaava ) pintava os lábios de vermelho , uns sapatos da mãe e lá ia eu toda feliz, sentindo-me adulta , para cantar no palco.
Hahahah... recordo que numa dessas finais fiquei sem um salto mal cheguei ao local do espectáculo e depois " roubei " os sapatos de outra concorrente!!!
( amanhã continua....)
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
hóooo, se não é!!!!
AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuido pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
