segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

E agora o MEU amor.......

e o que será o meu amor???

não faço ideia........o céu??......o mar??....os meus irmãos??.......o fado??.......as costuras??......aquele vestido verde agua que me faz sentir uma menina de 10 anos??.....mas então e .....os sapatos??......e aqueles amigos???....e aquelas amigas??....ora bolas, e a minha cidade??.....pronto, e todas as cidades??...


Falam por aí que Amor há só um, que não nos deixa respirar se não temos isso ou esse ao pé de nós.

Estranho, estranhíssimo!
Eu amo agua então, amo a lua, amo um botão antigo que comprei nos armazéns dos "Velhotes" (como a minha avó costumava chamar dos quais eu nem sequer um dia soube o nome verdadeiro) dourado que me custou 10 escudos e que ainda hoje fico com os olhos brilhantes só de olha-lo e nunca tive coragem de o por em trapo algum que tenha feito!Eu, amo achar que amanha será sempre melhor que hoje e que " não ha-de ser nada ".....e os trapos?esses então bolas, bolinhas, eles são as bolas aos desenhos, aos quadrados e amo todos da mesma forma, mas então e a minha Aurora?
Há pois é a minha supre gata da rua linda,linda,mas matreira, tem medo de entrar em minha casa,faz-me ficar horas a chamar por ela à porta de casa até que depois acaba por não entrar e lá consigo que se aproxime para comer, depois anda lá por casa, festinhas é que nada, mas não se livra de daqui por uns tempos andar vestida com um vestido e um laço na cabeça, a passear comigo toda lampeira.....

O meu amor

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

teresinha

O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração

Chico Buarque