segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Meus olhos que por algém
Deram lágrimas sem fim,
Já naõ choram por ninguém
Basta que chorem por mim.

Arrependidos e olhando
A vida como ela é
Meus olhos vão conquistando
Mais fadiga e menos fé.

Sempre cheios de amargura
Mas se a vida é mesmo assim
Chorar alguém,que loucura
Basta que chorem por mim.

Não me peças mais canções
Porque a cantar vou sofrendo:
Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

Se a minha voz conseguisse
Dissuadir tua tristeza
E a tua boca sorrisse
Mais sóbria que a natureza
Não a posso renovar.

E o brilho vai-se perdendo...
- Sou como as velas do altar
Que dão luz e vão morrendo.

António Boto

Amêndoa amarga

Por ti falo e ninguém pensa
mas eu digo minha amêndoa, meu amigo, meu irmão
meu tropel de ternura, minha casa
meu jardim de carência, minha asa.

Por ti vivo e ninguém pensa
mas eu sigo um caminho de silvas e de nardos
uma intensa ternura que persigo
rodeada de cardos por tantos lados.

Por ti morro e ninguém sabe
mas eu espero o teu corpo que sabe a madrugada
o teu corpo que sabe a desespero
ó minha amarga amêndoa desejada.

J.C.Ary dos Santos